Continua a polêmica em torno de Grass

11/04/2012 03:14

Acredito que o medo que temos de ser considerados preconceituosos está afetando nossa capacidade intelectual e democrática do exercício do senso crítico. Após longos anos de perseguições religiosas, e principalmente, depois da barbaridade sofrida pelos judeus com o holocausto – tornou-se muito perigoso discordar de qualquer ato cometido pelo governo de Israel sem correr o risco de ser considerado antissemita. Se considerarmos um número muito grande 6 milhões de judeus mortos durante o vergonhoso episódio do nazismo na Alemanha, o que há de se falar dos 30 milhões assassinados por Stalin na Rússia. A humanidade parece ter um instinto ruim. A história está repleta de massacres cruéis como foi o holocausto.

A culpa que temos pela escravidão dos negros nas Américas, associada ao injusto sofrimento judeu, fez com que assuntos pertinentes a estes grupos se tornassem um tabu. Será que governos de negros ou judeus estão sempre certos? Será que devemos cultivar o sentimento de culpa eterno e permitir que suas atitudes jamais possam ser contestadas? Foi isto que aconteceu com as críticas feitas pelo escritor e poeta, Premio Nobel de Literatura, Günter Grass. O que se tem visto é uma guerra psicológica para evitar críticas ao governo de Netanyahu. Banir um Prêmio Nobel é uma atitude extremamente exagerada. Vários intelectuais israelenses condenaram esta medida. Um país com força moral não tem medo de críticas e permite o direito da livre expressão. Não se pode boicotar um intelectual. Aaron Ciechanover, judeu, Premio Nobel de Química em 2004, disse que Israel reagiu a “uma estupidez com outra estupidez”.

Foto utilizada com a permissão da Creative Commons kholkute  © 2011 Todos os direitos reservados.

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